A Prefeitura de Maringá apresentou nesta sexta-feira (14) um novo plano de ações para reduzir o número de acidentes e mortes no trânsito. A estratégia será baseada nos dados das ocorrências e prevê o reforço da fiscalização nos períodos, locais e comportamentos considerados de maior risco.
Durante a reunião entre a Prefeitura, a Secretaria de Mobilidade Urbana e as forças de segurança, foram apresentados dados que mostram a necessidade de ampliar principalmente as operações durante a noite.
As quintas-feiras, a partir das 19h, aparecem como um dos períodos mais críticos, com número elevado de acidentes. Segundo o prefeito, o dado será utilizado para orientar as ações, mas a fiscalização não ficará restrita a esse dia.
Atualmente, 70% das mortes de motociclistas analisadas ocorrem no período noturno, enquanto apenas 20,6% das blitzes realizadas em 2026 foram noturnas. O levantamento aponta, portanto, uma diferença entre o período de maior risco e a concentração das operações.
68 blitzes realizadas em 2026
De acordo com os dados apresentados, Maringá realizou 68 blitzes em 2026. Desse total, 54 foram realizadas durante o dia, o equivalente a 79,4%, e 14 durante a noite, representando 20,6%.
A proposta apresentada é ampliar as operações noturnas e direcioná-las para os chamados corredores críticos, além de concentrar a fiscalização nos dias e horários identificados pela análise de risco.
A intenção, segundo o plano, não é simplesmente realizar mais blitzes, mas aumentar a coincidência entre a presença da fiscalização e os locais e períodos de maior risco.
Motociclistas são principal desafio
Os motociclistas aparecem como um dos principais focos do plano de segurança viária.
A participação de motociclistas e passageiros de motos no total de mortes analisadas passou de 55% em 2024 para 55% em 2025 e chegou a 75% em 2026, segundo os dados apresentados.
O levantamento também aponta que 53% dos sinistros fatais envolvendo motociclistas analisados foram classificados como colisões laterais.
A Prefeitura estabeleceu como prioridade a redução das mortes e lesões graves envolvendo motociclistas.
Álcool, velocidade e habilitação estão entre os fatores prioritários
O plano identifica uma série de comportamentos que deverão receber atenção especial durante as operações.
Entre os principais fatores de risco estão:
- Álcool associado à direção, especialmente em operações noturnas e corredores de saída;
- Motociclistas não habilitados;
- Velocidade, relacionada à gravidade dos impactos;
- Uso de celular, associado à distração ao volante;
- Avanço e preferência, relacionados a conflitos em interseções.
Em outra frente, foram destacados como fatores prioritários visibilidade, velocidade, álcool, habilitação e comportamento dos condutores.
Fiscalização eletrônica
O plano também prevê o uso de tecnologia para o controle permanente dos comportamentos de maior risco.
Entre as medidas apresentadas estão:
Cruzamentos semaforizados, para controle de conflitos e avanço;
Radares educativos, voltados à informação e prevenção;
Radares sonoros, com monitoramento previsto nas avenidas Petrônio Portela e Herval;
Controle eletrônico de avanço de sinal, com ampliação da fiscalização;
Painéis de mensagem variável, para informações dinâmicas, alertas e orientação viária;
Videomonitoramento, para acompanhamento operacional e apoio à segurança viária.
Os quantitativos, projetos e metas dessas tecnologias ainda serão inseridos após a consolidação dos dados.
Fiscalização será direcionada ao risco
O plano estabelece quatro frentes principais: ampliar as operações noturnas, direcionar a fiscalização para corredores críticos, focar os dias e horários de maior risco e combater os fatores associados às mortes.
O planejamento territorial também considera pontos como bares e restaurantes, casas noturnas, postos e lojas de conveniência e corredores de saída nos horários de fechamento.
A Prefeitura ressalta que a presença desses estabelecimentos será utilizada como variável territorial para o planejamento e não significa que exista relação de causa e efeito entre os locais e os acidentes.
Projeto Moto + Vida
Além da fiscalização, o município também vem investindo em educação no trânsito. O projeto Moto + Vida já orientou mais de 350 jovens, com foco na conscientização e na prevenção de acidentes envolvendo motociclistas.
Número de mortes chega a 29
Durante a coletiva de imprensa realizada após a reunião, o prefeito recebeu a confirmação de mais uma morte no trânsito, elevando para 29 o número de óbitos registrados em Maringá no período apresentado.
O novo caso reforçou a preocupação das autoridades e a necessidade de direcionar as ações para os fatores e períodos de maior risco.
Com o novo plano, a Prefeitura pretende transformar os dados dos acidentes em ações mais direcionadas de fiscalização, educação, tecnologia e prevenção, buscando reduzir principalmente as mortes e lesões graves no trânsito.




