Neste sábado (29/8), Mirtes Renata, mãe do menino Miguel, comemorou sua formatura em Direito, realizada em Pernambuco. Durante o evento, Mirtes prestou uma homenagem ao filho, que foi uma de suas principais inspirações para iniciar a graduação. Miguel faleceu aos cinco anos após um acidente trágico, quando caiu do nono andar de um prédio de luxo no Recife, em 2020, sob a responsabilidade de Sari Corte Real, ex-patroa de Mirtes e esposa do ex-prefeito de Tamandaré (PE), Sérgio Hacker Corte Real.
A escolha da música "Maria Maria", de Milton Nascimento, para a entrada na cerimônia, trouxe um significado profundo para Mirtes, uma vez que a letra fala sobre a perseverança diante das adversidades. Para tornar o momento ainda mais especial, ela solicitou que imagens de Miguel fossem exibidas em um telão enquanto caminhava ao lado da mãe da irmã, demonstrando sua emoção ao relembrar o filho.
Duas amigas de Mirtes também marcaram presença na formatura, apoiando-a durante a cerimônia. Ao carregar um quadro com uma foto de Miguel, ela não conseguiu conter as lágrimas ao atravessar o espaço do evento. A graduação em Direito representa sua luta contínua por justiça após a morte de Miguel. Desde a tragédia, Mirtes se dedicou a buscar justiça e decidiu ingressar na faculdade.
Em junho do ano passado, ela apresentou seu trabalho de conclusão de curso (TCC), abordando o tema da escravidão contemporânea, e foi aprovada com nota máxima. Agora, ela celebra a conquista da formatura, um marco importante em sua trajetória.
Mirtes Renata era empregada doméstica de Sari Corte Real e, em 2 de junho de 2020, levou seu filho ao trabalho. Nesse dia, enquanto Mirtes passeava com o cachorro da patroa, Miguel ficou sob os cuidados de Sari, que estava fazendo as unhas com uma manicure. Em um momento, o menino saiu do apartamento e entrou no elevador. As investigações revelaram que Sari acionou o elevador para Miguel e o deixou sozinho. A criança acabou caindo em um vão onde estavam os equipamentos de ar-condicionado.
Sari Corte Real foi condenada pela Justiça a sete anos de prisão por abandono de incapaz com resultado morte, mas atualmente responde ao processo em liberdade.




