Por Mayara Ledo
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Ele chega primeiro. Sai por último. Resolve problemas durante o almoço, responde
mensagens à noite e, não raramente, trabalha aos sábados e domingos.
Ninguém poderia dizer que falta esforço.
Mas existe uma pergunta muito mais desconfortável: todo esse esforço está
enriquecendo esse empresário?
Se trabalhar muito fosse suficiente para enriquecer, os empresários mais exaustos
seriam também os mais ricos. E sabemos que não é assim.
Aprendemos desde cedo a associar trabalho duro a mérito. E não há nada de errado
nisso. Disciplina, dedicação e capacidade de fazer o que precisa ser feito continuam
sendo características importantes para qualquer pessoa que tomou a decisão de
empreender.
O problema começa quando confundimos esforço com resultado.
No universo empresarial, essa confusão ganhou contornos ainda mais curiosos. Não
tirar férias, trabalhar doze horas por dia, resolver tudo sozinho e estar permanentemente
ocupado passaram, muitas vezes, a funcionar quase como símbolos de sucesso.
Mas desde quando cansaço virou indicador de performance?
Há mais de 17 anos acompanho empresários de diferentes setores, portes e modelos de
negócios. Nesse tempo, encontrei muitos empresários extremamente trabalhadores.
Alguns construíram riqueza. Outros construíram empresas que passaram a exigir cada
vez mais deles.
E existe uma diferença enorme entre construir uma empresa e construir uma
empresa que também constrói riqueza para você.
Dan Ariely, pesquisador conhecido por seus estudos sobre as forças aparentemente
irracionais que influenciam nossas escolhas, dedicou boa parte de seu trabalho a mostrar
que nossas decisões estão longe de ser tão racionais quanto imaginamos.
Uma dessas armadilhas aparece quando consideramos tudo aquilo que já investimos —
dinheiro, tempo, energia — para decidir se devemos continuar investindo.
É a lógica do custo afundado.
“Já investi demais para parar.”
“Já coloquei muito dinheiro nisso.”
“Depois de tantos anos, não posso mudar agora.”
Mas o esforço que ficou no passado não transforma uma decisão ruim em uma boa
decisão para o futuro.
Essa reflexão também vale para o trabalho.
Trabalho é insumo. Não resultado.
Uma empresa pode trabalhar muito, vender muito, aumentar sua estrutura, contratar
pessoas e movimentar milhões.
Mas o esforço precisa atravessar a empresa e chegar a algum lugar.
Precisa gerar valor.
O valor precisa se transformar em venda.
A venda precisa se transformar em caixa.
O caixa precisa produzir resultado.
E parte desse resultado precisa, em algum momento, transformar-se em patrimônio.
Quando essa sequência não acontece, podemos ter uma empresa extremamente
movimentada e um empresário cada vez mais cansado — sem que todo esse esforço
esteja produzindo riqueza proporcional.
Por isso, não podemos normalizar o esforço pelo esforço.
Empreender exige trabalho, disciplina, risco e persistência. Mas sofrimento não é
modelo de negócio. Exaustão não é indicador financeiro. E agenda cheia não aparece no
patrimônio.
O mercado também não remunera o empresário pela quantidade de horas que ele
trabalhou ou pelo número de noites em que perdeu o sono. Ele remunera o valor que a
empresa conseguiu criar, capturar e transformar em resultado.
Talvez seja justamente essa uma das mudanças mais importantes de consciência para
quem empreende.
Trabalhar duro continua sendo importante.
Mas o trabalho não deveria ser o destino.
Deveria ser parte de um processo capaz de construir algo maior: riqueza.
Por isso, ao final de mais um dia exaustivo, talvez a pergunta mais importante não seja:
“Quanto eu trabalhei hoje?”
Mas: “Quanto do meu trabalho de hoje está construindo a riqueza de amanhã?”
Mayara Ledo
Especialista em Gestão Financeira e Economia Comportamental
Consultora financeira e Mentora de empresários
Criadora do Método Ciclo do Enriquecimento Sustentável®
Sócia-fundadora da METTA – Soluções em Educação Financeira
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