A cantora Daniela Mercury mergulha no clima do Carnaval carioca ao celebrar sua estreia na Estação Primeira de Mangueira. Em uma entrevista durante a final da escolha do samba-enredo, a artista expressou seu desejo de levar o samba "Oyá Tetê" para a Marquês de Sapucaí, afirmando que seria uma honra defender essa composição na famosa avenida. A obra, que traz uma mensagem de enfrentamento à violência contra a mulher, foi escolhida como vencedora da disputa na madrugada deste domingo (6/9), após uma noite de celebração no Palácio do Samba, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. A canção é de autoria de Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Guilherme Sá, Rodrigo Bandolim e Orlando Ambrósio.
Daniela, que vive pela primeira vez a experiência de participar da Mangueira, não escondeu a emoção ao comentar sobre o momento. Em sua fala, ressaltou a conexão entre a escola e suas raízes baianas, afirmando: "Estreando aqui na Mangueira, na Estação Primeira, nesse ano tão bonito, 99 anos, né? Tô muito emocionada de vir aqui pra final. Já ensaiamos hoje, tô na energia, né? Juntando o axé da Bahia, os blocos afro com a Mangueira. Nossa Estação Primeira, onde o Rio é mais baiano, não é?".
A artista também destacou o crescente interesse pelo samba, mencionando que a música já havia chamado a atenção de pessoas durante sua passagem pela Europa. Daniela relatou que foi incentivada a cantar trechos da composição para admiradores que apoiavam o samba. "Eu estou acompanhando, vendo a loucura. E estou vendo que a quadra está lotada, não cabe mais ninguém. Eu acabei de ver. Então, estou sentindo que ela está fazendo sucesso no mundo todo. Inclusive, eu ia de cantar na avenida, Daniela foi direta: 'Sim, com certeza, seria uma honra'."
Outro ponto que chamou a atenção de Daniela foi a mensagem poderosa contida em um dos trechos do samba: "Nenhum Macho Me Bate". A artista defendeu a escolha da letra, enfatizando a importância da reflexão sobre a violência contra as mulheres. "Eu acho que é muito pertinente. Inclusive, incomodou algumas pessoas, e os meninos que fizeram disseram que estavam certíssimos. Está para nascer quem manda nela. Nenhum macho levanta a mão para mim. São gritos de afirmação do nosso direito de viver em paz, do direito da gente exuberar. É importante que se repita isso todos os dias nas quadras das escolas de samba. Quem sabe a gente diminua a violência. Porque aqui, o que se fala na Mangueira, é lei", concluiu Daniela Mercury.




