A recente decisão da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) de barrar a participação de mulheres trans em competições femininas gerou intensos debates nas redes sociais e nas quadras. Ingrid Caravellas, que foi campeã mundial juvenil com a Seleção Brasileira em 1987 e se tornou conhecida por sua participação em programas de televisão, expressou seu apoio à medida, provocando polêmica entre seus seguidores.
Durante conversa com o repórter Adriel Marques, Caravellas se defendeu de acusações de transfobia, afirmando que não tem aversão a pessoas trans. Ela recordou de uma amiga trans, Andressa, que faleceu há mais de cinco anos, e fez uma distinção clara entre sua visão sobre identidades de gênero e sua posição em relação à competição esportiva. "Eu respeito o direito de cada pessoa viver a própria identidade e fazer as escolhas que dizem respeito ao seu corpo e à sua vida. O que eu estou discutindo é outra coisa: categoria esportiva e justiça competitiva", disse.
Ingrid Caravellas, que tem uma sólida carreira no vôlei e jogou ao lado de atletas como Márcia Fu e Virna Dias, argumentou que as competições femininas existem devido a diferenças biológicas entre homens e mulheres. Ela destacou que essas diferenças podem impactar significativamente o desempenho esportivo, citando fatores como força, potência, velocidade e capacidade de salto como elementos que justificam a divisão de categorias no esporte.
A ex-jogadora reconheceu a importância da trajetória de Tifanny Abreu, uma das atletas mais afetadas pela nova regra. Caravellas expressou respeito pelo trabalho e dedicação de Tifanny ao longo dos anos, sublinhando que a mudança representa uma grande perda profissional para a jogadora. Apesar disso, manteve sua posição sobre a necessidade de critérios que garantam justiça nas competições.
“Eu sei que, para ela, isso representa uma perda profissional enorme. E consigo ter empatia por isso sem deixar de defender aquilo em que acredito”, afirmou Ingrid. Além disso, ela deixou uma mensagem à Tifanny, ressaltando que seu posicionamento não é contra a atleta, mas a favor da categoria feminina e de uma competição justa entre mulheres.
Ingrid também frisou que não considera Tifanny uma inimiga, mas sim uma atleta que se encontra no centro de uma discussão mais ampla sobre gênero e esporte. Ela se opõe à ideia de transformar a jogadora em um alvo, enfatizando que a questão vai além da individualidade de Tifanny, englobando a integridade da categoria feminina no vôlei.




