
Qual é o valor da impunidade?
Essa é a pergunta que não quer calar após o grave acidente envolvendo Rodolfo Rodrigo Notario, de 38 anos, em Maringá.
Rodolfo é trabalhador. Estava em exercício da profissão, realizando uma entrega. Aquela que deveria ser apenas mais uma entrega de sua rotina acabou se transformando em uma luta pela própria vida.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Rodolfo foi atropelado por um estudante de medicina que estaria embriagado. Após a colisão, a motocicleta teria sido arrastada pelo veículo por mais de 600 metros.
Rodolfo ficou gravemente ferido, com múltiplas fraturas, e segue internado no hospital.
Ele não morreu.
Mas está lutando pela vida.
E enquanto Rodolfo permanece no hospital, uma pergunta precisa ser feita:
Qual é o valor da vida de um trabalhador?
De acordo com as informações divulgadas, o condutor se recusou a realizar o teste do bafômetro. Ainda assim, segundo os policiais, foram identificados sinais aparentes de embriaguez, o que levou à elaboração de um termo de constatação de embriaguez e à autuação com base no Código de Trânsito Brasileiro.
Além disso, conforme os relatos, o condutor teria tentado fugir após o atropelamento e acabou sendo detido por populares.
E aqui chegamos a uma das cenas que mais revoltam quem acompanhou o caso.
Enquanto Rodolfo estava caído no chão, gravemente ferido, com múltiplas fraturas e lutando pela própria vida, o condutor era conduzido em direção à viatura.
Caminhando tranquilamente.
Sem algemas.
Com o celular na mão.
Enquanto um trabalhador estava no chão, ferido e precisando de socorro, a imagem do condutor caminhando em direção à viatura causa uma indignação que é difícil explicar.
Não estamos falando de linchamento.
Não estamos defendendo justiça com as próprias mãos.
Estamos falando de uma pergunta simples:
Se fosse um trabalhador pobre, dirigindo um carro popular velho, envolvido em um atropelamento com uma pessoa gravemente ferida, ele receberia exatamente o mesmo tratamento?
Será que sairia caminhando tranquilamente?
Será que teria o mesmo tratamento?
Será que teria condições de pagar uma fiança de R$ 15 mil?
Porque, segundo as informações divulgadas, foi exatamente esse o valor da fiança paga para que o condutor pudesse responder ao caso em liberdade.
E isso precisa ser questionado.
Não cabe a mim condenar ninguém.
Não cabe a mim determinar a culpa.
Isso cabe à investigação e à Justiça.
Mas cabe à sociedade cobrar respostas.
Cabe perguntar por que um trabalhador está lutando pela própria vida em um hospital enquanto o condutor envolvido no acidente já está em liberdade mediante fiança.
A medicina existe para salvar vidas.
Um estudante de medicina passa anos aprendendo sobre o corpo humano, sobre emergências e sobre a importância de agir diante de uma pessoa em situação crítica.
Mas naquela noite, a pergunta que fica é:
Houve preocupação com a vida de Rodolfo depois do atropelamento?
Houve tentativa de socorro?
Ou houve uma tentativa de deixar o local?
Essas respostas precisam aparecer.
Porque para Rodolfo Rodrigo Notario, a vida mudou completamente.
Seus planos foram interrompidos.
Sua rotina foi destruída.
Sua família está vivendo momentos de angústia.
E ele está em um hospital, lutando para se recuperar.
Rodolfo não é apenas “um motoboy”.
É um trabalhador.
É um homem de 38 anos.
É alguém que saiu de casa para trabalhar e realizar uma entrega.
E poderia simplesmente não voltar.
Por isso, não podemos permitir que esse caso seja tratado apenas como mais uma ocorrência de trânsito.
É uma vida humana.
É uma família sofrendo.
É um trabalhador lutando pela própria recuperação.
E é justamente por isso que precisamos perguntar:
A lei realmente vale para todos?
Porque quando um trabalhador pobre comete um erro, muitas vezes vemos o peso da lei cair rapidamente.
Mas quando existe dinheiro, posição social, profissão ou influência envolvida, surge uma sensação cada vez maior de que existem pessoas que recebem um tratamento diferente.
E é justamente essa sensação que precisa ser combatida.
Não queremos vingança.
Queremos Justiça.
Não queremos linchamento.
Queremos responsabilidade.
Não queremos privilégios.
Queremos igualdade perante a lei.
Rodolfo está vivo.
E agora sua maior batalha é conseguir sair daquele hospital e voltar para sua família.
Que ele consiga se recuperar.
Que sua família tenha forças.
E que tudo seja devidamente investigado.
Que, se houver responsabilidades a serem atribuídas, elas sejam atribuídas.
Sem sobrenome.
Sem dinheiro.
Sem profissão.
Sem privilégios.
Porque uma vida é uma vida.
E fica a pergunta que não pode ser silenciada:
QUAL É O VALOR DA IMPUNIDADE?
E, principalmente:
A VIDA DE UM TRABALHADOR VALE MENOS?
Alexandre Henrique




