Peptídeos de colágeno, suco detox, bebida energética para acordar, gominha de melatonina para dormir, fast food com milkshake proteico… onde está o erro?
É muito comum a adesão do público aos produtos fitness. Em contrapartida, o que está sendo consumido, na maioria das vezes, não é conhecido. Peptídeos de colágeno: quantas pessoas realmente sabem para o que isso serve? E o suco detox, que me surpreende nunca sair de moda, e particularmente acho delicioso. Mas desintoxicar o fígado é o trabalho do fígado. Não vamos terceirizar. Sobre a bebida energética ou até mesmo o café, não vou julgar, pois também sou uma vítima. E aqui, se for para criticar a necessidade de ser proativo, o assunto não cabe apenas na coluna de nutrição. O mesmo vale para as substituições: para cada problema, temos não só a solução, mas também a substituição. O que sobra quando a gente tira o açúcar? O adoçante. Quando tira o glúten? Produtos com a composição modificada. E quando tira o leite? O leite vegetal.
Existem muitas nuances no mundo fitness. E a primeira delas é que, na maioria das vezes, há uma generalização de conduta, como se o que serve para uma pessoa servisse para outra. Ora, vamos todos cortar o açúcar e o glúten. E beber leite? Nem pensar. “Ninguém é bezerro para tomar leite todos os dias”. São falas comuns na internet, dito tanto por pessoas sem nenhum embasamento quanto por aquelas que selecionam e adaptam a informação científica para defender o que querem e como querem.
Não estou dizendo, tampouco escrevendo, que algumas condutas nutricionais não necessitem de restrições. Mas vamos dar nome aos bois, ou melhor, aos casos clínicos. Existem quadros com real necessidade de restrição, como os diabéticos, para quem é indicado o consumo de adoçantes no lugar do açúcar. No caso do glúten, a doença celíaca não é brincadeira e exige dieta controlada.
Quando o assunto é leite, temos os intolerantes à lactose, que podem consumir produtos lácteos sem lactose ou com a enzima lactase. Porém, quando se fala de alergia à proteína do leite de vaca, mais comum em bebês, mas que pode surgir em qualquer idade e, a partir do diagnóstico, é para o resto da vida, o leite deve ser excluído. São necessidades de exclusão para viver bem.
E afirmo que esses alimentos realmente podem ser inflamatórios em outros casos clínicos. Mas isso exige investigação. Digo que existe a regra-base, e o resto é individual. Colocar o açúcar de mesa como vilão é fácil, porque você sabe o que ele é. Mas o adoçante que você consome, sem fazer ideia nem do nome dele, fica difícil.
Por fim, o que tenho a dizer é que a nutrição vive de descobertas disruptivas. O ovo já foi um vilão também. Então, antes de substituirmos o nosso pão caseiro porque ele leva leite, açúcar e glúten, vamos procurar orientação para saber se existe essa necessidade, e nos certificar de que quem vai substituí-lo não é um ultra processado proteico diet, cuja lista de ingredientes você não sabe nem dizer se está em língua portuguesa.




